Alerta nas telas

Enquanto 48% dos cinemas do mundo já são digitais, o Brasil só modernizou 14% de suas salas e corre o risco de ter um parque exibidor obsoleto já em 2015.

Em até quatro anos, a sala de cinema sem projeção digital deve se juntar a um grupo de excluídos que já inclui o disco de vinil, o telefone discado, o videocassete e a máquina de escrever. Será, portanto, um item relegado a nichos de colecionadores e saudosistas em todo o mundo, talvez exceto em um país, o Brasil.

Hoje, apenas 14% das salas nacionais têm projetores digitais, num patamar bem abaixo dos 40% da média mundial. As outras 68%, por sua vez, ainda exibem filmes em 35 mm, um formato que deve sumir do mercado até 2015 e que acende um alerta no setor audiovisual brasileiro sobre digitalizar suas salas.

Atualmente, as salas digitais do Brasil colocam o país no mesmo patamar da África. Nos EUA, por exemplo, o percentual deve chegar a 66% no fim do ano e mais de 90% em 2013, prazo dado pelos americanos para cancelar o lançamento de cópias em película. No processo de digitalização, o Brasil está atrás ainda da média da América Latina (20%), Europa Ocidental (51%), Europa Oriental (33%) e da Ásia (38%). A preocupação do mercado é de que, no ritmo brasileiro, será impossível converter mais de 2.300 salas do país até 2015, ano previsto pelos estúdios para a substituição completa da película no mundo.

(Notícia na íntegra – Jornal O Globo, 23 de outubro de 2011 – Segundo Caderno)

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